Viva Santo Antônio, São Pedro e São João.
June 29, 2007 12:59 pm Língua PortuguesaO mês de junho é o mês em que há uma valorização, ainda que estereotipada, da cultura caipira. Devido às festas comemorativas dos santos católicos: Santo Antônio, São Pedro e São João, as pessoas se reúnem em volta de fogueiras; cantam e dançam músicas tradicionais; comem paçoca, pipoca, arroz-doce entre outras delícias; participam da quermesse e se divertem no segundo evento brasileiro mais esperado do ano (desnecessário dizer qual é o primeiro, não é mesmo?). Aproveitando o momento, resolvi voltar a uma questão curiosa: quando usamos “santo” e quando usamos “são” para invocar um santo? Se a regra fosse pura e simplesmente respeitada seria muito simples:
“Santo” antes de nomes que começam por vogal ou “h”(Santo André, Santo Amaro, Santo Onofre).
Já os beatificados que têm nomes começados por consoantes serão chamados de “São” (São Paulo, São Caetano, São Bernardo).
O problema são as exceções, cuja mais famosa é a de Santo Tomás de Aquino. Mesmo assim, encontramos o uso de São Tomas de Aquino, também.
Para complicar, as exceções se ampliam para o idioma espanhol, um detalhe que pode confundir também os que falam português. O dicionário espanhol da Real Academia diz que Tomás, Toribio, Tomé e Domingo são exceções que devem ser tratadas com “Santo”. Por isso, para nós que falamos português, a república é de São Tomé e Príncipe, mas seu nome oficial em espanhol é Santo Tomé e Príncipe.
Fique esperto para não se confundir com os mapas turísticos em espanhol.
Melhor mesmo são as mulheres que quando viram santas é só chamar de “santa” e acabou. Simples, não?
Bom, nesse clima junino, trouxe a vocês uma simpática canção de Chico Buarque. Espero que gostem.
Quadrilha
Chico Buarque
Composição: Indisponível
E neste ano, como todo ano, uma vez por ano
Tem quadrilha no arraial
E neste ano, como sempre, salvo chuva e salvo engano
A satisfação é geral
Não me leve a mal
Não me leve a mal
O forró corria manso, sem problema e sem vexame
Quando o chefe da quadrilha decretou changer de dame
A mulher do delegado rendeu o bacharel
O peão laçou a jovem filha do coronel
A Terezinha Crediário deu um passo com o vigário
A beata com o sacristão
Diz que a senhora do prefeito
Merecidamente eleito
Foi com o líder da oposição
Não tem nada não
Não tem nada não
Zé-com-fome deitou olho na patroa do “seu” Lima
Que não faz xodó na moça mas também não sai de cima
Juca largou a sanfona e, abandonando o salão
Foi prevaricar com a dona que vendia quentão
E foi doente com doutora, indigente e protetora
Foi aluna com professor
E o perigoso bandoleiro, Zé Durango “El Justicero”
Fez beicinho pro promotor
Mas, faça o favor!
Mas, faça o favor!
O forró estereofônico estava mesmo um barato
Muita música na praça e muita dança lá no mato
Quem gozou da brincadeiram, muito bom, muito bem
Quem tomou chá de cadeira, só no ano que vem
Pois nesse ano, como todo ano, uma vez por ano
Tem quadrilha no arraial
E nesse ano, como sempre, salvo chuva e salvo engano
A satisfação é geral
Ninguém leva a mal
Ninguém leva a mal
June 18th, 2009 at 2:26 pm
o blog tá mara