Mutum

10:10 am Cinema, Literatura

Vocês poderiam perguntar: o que é Mutum? Eu diria que muitas são as respostas. Para Guimarães Rosa, “é um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte, e lá chove sempre…” Para Sandra Kogut, é um filme, o que encerrou o Festival de Cannes e o ganhador do Festival de Cinema do Rio 2007.

Para mim e outros leitores e telespectadores, é o cenário da obra “Campo Geral”, de Guimarães Rosa e é também onde vive Thiago, o protagonista do filme, que interpreta Miguilim, personagem do livro.

Como na narrativa, o filme traz aos telespectadores um universo desconhecido, que nos é apresentado pelos olhos de Thiago, um garotinho de 8 anos. E apesar de a perspectiva ser infantil, somos levados às mais fortes emoções e aos mais graves conflitos. Conhecemos um mundo de pequenas formas, cores, valores, sentimentos. Um mundo de novos valores, de valorização de objetos e seres outrora marginalizados. Um mundo lingüisticamente novo. Um mundo que precisa ser desbravado, compreendido.

Miguilim nos leva a esse conhecimento mais profundo do mundo infantil, inocente, sensível. Seu olhar nos faz entender o mundo com grandeza. Essa grandeza, contraditoriamente, aparece como miopia, como uma distorção do olhar verdadeiro do mundo. Um olhar que precisa de correção, de óculos, para que, dessa forma, seja “comum”. O livro traz em si uma circularidade que só pode ser compreendida por quem conhece Miguilim.

Sandra Kogut e seu filme talvez tenham traçado o caminho mais curto para se aproximar de Guimarães Rosa, nesse ano em que se comemora o seu centenário de nascimento.

Por tudo isso, a premiação foi merecida. E eu não poderia deixar de recomendar que assistam a “Mutum” e leiam “Campo Geral”.

Grande abraço

Laila Vanetti

One Response

  1. Virgínia Vaz Says:

    Olá, Laila

    Quando eu estava na faculdade, pesquisei sobre esse livro, justamente sobre o personagem principal.
    Ainda não tive oportunidade de assistir ao filme - parece que nossas locadoras só querem grandes produções -, então, ainda não posso dar opinião sobre essa ponte entre livro e filme. Porém, adorei o comentário e senti muita vontade de assisti-lo, apesar de não gostar de adaptações…
    Enfim, quando eu assisti-li venho comentar. Obrigada pela dica.

    Um abraço

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